Foi dada, nesta última quarta-feira, a largada
do processo de criação dos dois personagens de À Beira do Precipício. Após uma
breve reunião com o diretor do espetáculo, Silvio Ribeiro, eu e Donizetti
Buganza, conhecido por todos na Companhia apenas como Doni, ficamos à vontade na sala de ensaio para realizar a primeira
leitura branca do texto.
No meio artístico, entende-se por “branca” a
simples leitura da obra. Nesse exercício preliminar, as intenções das falas são
dadas apenas pela pontuação que consta no texto, evitando-se, assim, agregar a
essa leitura preliminar o real subtexto das cenas ou os personagens vocais; que
serão futuramente explorados durante a leitura dramatizada da história.
O exercício, no entanto, não foi contínuo. Entre
uma cena e outra, eu e Doni pausávamos as falas e a leitura das rubricas para
discutir aspectos técnicos do espetáculo e trocar as nossas primeiras
impressões a respeito dos personagens: as minhas destinadas as ações do michê Zeca,
e as dele reservadas ao “novo olhar” que pretende dar ao advogado Afonso.
Minutos depois, encerramos a nossa primeira
leitura branca com os ânimos fervilhando. Concluímos que a mais difícil tarefa
vinculada ao texto será descobrir quais são os vazios temporais que existem,
para, após, preencher as falas costuradas de Zeca e Afonso com ações que sejam
compatíveis à atmosfera inconstante
da obra: aquela que ora os aproximam de um intenso contato físico ou que ora
expõe Afonso à beira de um profundo precipício.
