segunda-feira, 14 de abril de 2014

Semana #01 – Leitura branca

Foi dada, nesta última quarta-feira, a largada do processo de criação dos dois personagens de À Beira do Precipício. Após uma breve reunião com o diretor do espetáculo, Silvio Ribeiro, eu e Donizetti Buganza, conhecido por todos na Companhia apenas como Doni, ficamos à vontade na sala de ensaio para realizar a primeira leitura branca do texto.

No meio artístico, entende-se por “branca” a simples leitura da obra. Nesse exercício preliminar, as intenções das falas são dadas apenas pela pontuação que consta no texto, evitando-se, assim, agregar a essa leitura preliminar o real subtexto das cenas ou os personagens vocais; que serão futuramente explorados durante a leitura dramatizada da história.

O exercício, no entanto, não foi contínuo. Entre uma cena e outra, eu e Doni pausávamos as falas e a leitura das rubricas para discutir aspectos técnicos do espetáculo e trocar as nossas primeiras impressões a respeito dos personagens: as minhas destinadas as ações do michê Zeca, e as dele reservadas ao “novo olhar” que pretende dar ao advogado Afonso.

Minutos depois, encerramos a nossa primeira leitura branca com os ânimos fervilhando. Concluímos que a mais difícil tarefa vinculada ao texto será descobrir quais são os vazios temporais que existem, para, após, preencher as falas costuradas de Zeca e Afonso com ações que sejam compatíveis à atmosfera inconstante da obra: aquela que ora os aproximam de um intenso contato físico ou que ora expõe Afonso à beira de um profundo precipício.