Após uma breve pausa, retomamos, nesta última
segunda-feira, o processo de criação dos dois personagens de À Beira do
Precipício. Assim, a ideia inicial para o texto dessa postagem resumia-se em
descrever o começo da nossa preparação.
No entanto, levando-se em conta o fato de que o
Doni já deu vida à primeira versão do personagem Afonso, achei igualmente
interessante que ele mesmo redigisse quais foram as suas impressões acerca da
primeira adaptação do texto para o teatro, colocando, também, em poucas linhas
os fatores que o impulsionam a dar a Afonso uma nova visão e um novo subtexto.
Seguem abaixo, portanto, as referidas linhas:
"O processo de montagem de À Beira do Precipício,
em 2009, foi muito intenso! O Silvio – diretor e autor do texto – fez uma
preparação de ator minuciosa, extraindo de nós, atores, através dos jogos e
exercícios propostos, emoções fortes; o que mexeu muito tanto comigo quanto com
o Bruno Leite, que na primeira montagem interpretou o Zeca.
Além disso, acho importante dizer que a direção
do Silvio foi primorosa e sensível, desenhando um espetáculo em que os
personagens se expunham ao máximo, mas sem apelações dessa ou daquela ordem. O
clima de todo o espetáculo era de uma sexualidade extrema, mesmo sem nenhuma
cena apelativa. Lembro que eu e o Bruno nos entregávamos aos personagens
inteiros, sem disfarces, desnudando os sentimentos do Afonso e do Zeca.... e a
platéia, que assistia à peça como se espionasse através de uma janela o que
acontecia dentro daquele apartamento, envolvia-se e vivenciava a história dos
dois.
Agora, nessa nova montagem, o que me instiga e me impulsiona é o
desafio! Desafio de buscar outras referências para a construção do Afonso, da
sua relação com o garoto de programa Zeca, da forma como ele encara a situação
e a sua solidão. Acredito que será uma nova montagem e que conquistará o
público porque acima de tudo é uma história de vida comum a qualquer um que fala
de amor, amizade, desejo e solidão."
